23.8.16

Bem dito


Nó no peito, dúvidas, erros,
dores, choros, e nãos.
(Padecimento)

Coração cheio, certezas, acertos,
beijos, amores e cheiros.
(Contentamento)

Minha mãe já me dizia, mas eu não entendia:
Ser mãe é padecer no paraíso. 


(imagem: Phoebe Wahl)

21.5.14

esclarecimento


não é apenas fé na vida
(simples e irresponsável)

é sim um sentimento que brota do meio do peito
(da certeza de que já se tem o principal)

o que está fora disso não tem lá tanta importância
(pode ser reto ou pode ser torto)

assim é minha fé: no que está dentro
(pequenos olhinhos brilham felizes todos os dias)

10.4.14

remissão


eu não queria ter perdido o hábito de sorrir
(mesmo sem permissão)
– mas perdi.

eu não queria me notar abafando as palavras
(por medo da incompreensão)
– mas noto.

eu não queria me sentir errada
(sem saber ao certo a razão)
– mas sinto.

eu não queria me perder
(do que sou)
- e não vou.


(imagem: Jean Paulo Amorim)

17.3.14

futuro do pretérito

.
sinto
que um dia
nos arrependeremos
.
do tempo
que perdemos
olhando nossos defeitos
...
(e espero que esse dia chegue mesmo)

(imagem: Amber Alexander)

7.3.14

coração de leão



(te)
 desejo coragem
para viver a paz
que só a verdade
traz

(o caminho é tortuoso,
mas no final a vista é linda)


(imagem: arquivo pessoal)

25.2.14

pretexto



Eu escrevo por medo
(de perder a doçura do instante).


imagem: Sarah Janes

30.1.14

Rotina


por tantos momentos eu penso em dizer-te
as tantas razões dessa vida minha
que me fazem sorrir
todo santo dia

mas, 
no instante seguinte, me calo - ainda
(algumas razões minhas são tão pequeninas
que eu quase me envergonho de ser feliz por elas)

é que: 
eu queria tanto
ver o contentamento brotar dos teus olhos
e a felicidade encher a tua vida
todo santo dia

imagem: Katie Daisy

19.5.13

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amor meu amor:
estou preparando
alguns poemas para você
em breve, nos lugares de sempre
(em mim e em você)
 

(imagem: Patrícia Metola - adaptada)

2.4.13

O amor ainda é free


Você me disse que ia comigo na escolinha quando eu era pequena. Confesso que não lembro, mas acredito. Você me ensinou a pintar (sempre na mesma direção ou em bolinhas). Você fazia desenhos lindos, lindos, lindos. E eu não cansava de olhá-los. Você me contou sobre os planetas e a Via-Láctea. Você tinha um quadro do Michael Jackson no seu quarto, e eu ficava horas olhando para ele. Você me levava na piscina do prédio. Um dia eu peguei escondido uma bala de goma na sua gaveta, e minha boca ficou toda manchada de tinta (era uma daquelas balas com tinta no recheio). Você deu risada e disse que era para eu aprender a não mexer nas coisas dos outros. Você me emprestava os seus lápis de pintura. Você foi a primeira pessoa para quem eu contei, chorando e com a voz embargada, a minha primeira nota vermelha. Você sorriu (com um ar de “ah se todos os problemas do mundo fossem esse”) e depois foi comigo contar para a mamãe e para o papai. Você me contou os mistérios dos discos voadores. Uma vez, quando eu te procurei chorando e disse que tinha medo que a mamãe ou o papai morressem, você me perguntou, com um sorriso no canto da boca: “E a Tuca? Você não tem medo que a Tuca morra?”. Eu e você: gostamos de farinha láctea e de leite em pó. Quando você casou você me enviava cartas pelo correio. Eu podia contar tudo para você: você sempre me ouvia com olhos sinceramente interessados. Hoje, você senta para desenhar com as minhas filhas, exatamente como você fazia comigo. Você explica para elas muitas coisas, com calma e com detalhes, exatamente como você fazia comigo. E, recentemente, você me disse que “o amor ainda é free”. Para mim, esta frase é a perfeita descrição de você. Quer coisa mais bonita do que essa? Obrigada por fazer parte da minha vida. Obrigada por estar sempre disposta, sempre sorrindo. Obrigada por me lembrar (com palavras e atitudes) que o amor ainda é free. Amo você.
 
(imagem: Katie Daisy)

28.3.13

A menina do vigésimo andar




 
Eu corria do fundo do parque de brinquedos até o fundo da garagem de cima. Brincava de queimada no salão, junto com outras (quase que) vinte crianças. Girava até ficar tonta no gira-gira grande. Eu não entendia porque o porteiro lia sempre o mesmo livro (e ele me explicou que aquele era um livro especial - a Bíblia). Brincava de esconde-esconde e batia cara no pilar. Pulava amarelinha nas divisórias do piso de ardósia que ficava entre os jardins da entrada. Fazia aula de piano com a moça do andar catorze. Brincava de escritório nas janelas do salão de festas. Fazia uma boa farra na piscina. Descia os vinte andares pela escada. O menino que morava no primeiro andar era chato. Pulava corda e elástico com as meninas. O pátio de entrada era o campo de corrida da barra-manteiga: metade das crianças ficava para o lado da garagem, e a outra metade para o lado do parquinho; quem chegava para entrar no prédio passava pelo meio de dois tantos de crianças com as mãos estendidas, e talvez entre duas correndo. Fazia piquenique. Brincava de pula-mula (mas dessa eu não gostava). Quando fiz sete anos ganhei uma festa à fantasia no salão de festas. Rodopiava na barra de mão. Demorei, mas um dia consegui alcançar o botão do meu andar, no elevador. Jogava pebolim e pingue-pongue. Uma vez o gatinho da portuguesa, que morava no décimo nono andar, caiu da janela. Pegava carona para a escola com a moça do quarto andar. Ensaiava coreografias com as meninas e apresentávamos nas festas que inventávamos. Hoje, quando apareço, o porteiro já não me conhece, e pede minha identificação na entrada. As pessoas que encontro no elevador sequer sabem meu nome (e eu também não as conheço). Não tem mais parque de brinquedos. Não tem mais mesa de pingue-pongue. Tampouco crianças brincando. Hoje tem câmera nos elevadores e flores artificiais no hall de entrada. Mas o pilar, no qual eu batia cara, ainda está lá - sustentando um prédio estranho.
 (imagem: Abigail Halpin)

9.8.12

a vida não é uma resposta

Porque tem razões que desconhecemos. E querer entendê-las, da forma como imaginamos ser idealmente possível, não nos cabe. Algumas respostas são para o futuro. Talvez o aprendizado seja o da resignação. Aceitemos, pois, a dureza da vida. A natureza da vida. Alguns sentidos devem ser plantados agora. De forma dura. Com a mão calosa. No futuro colheremos seus frutos: doces (o fruto da tristeza é sempre doce). Por enquanto, apenas calemos. Minha mão está aqui, caso queira.
(obs.: para você, minha amiga querida!)
(imagem: Patrícia Metola)

8.8.12

Tempo para o tempo que se precisa



Eu queria escrever. Queria dizer daquele momento. Queria contar nos cadernos das minhas meninas cada palavra nova, cada passeio agradável. Escrever minhas intenções e meus planos. Responder o e-mail daquela amiga distante. E um cartão de aniversário dedicado. Queria dizer das tantas lembranças que guardo comigo e que cirandam entre a minha cabeça e o meu coração. Temo que desapareçam e me angustio - seria como perder um pouco de mim. Então, para não sofrer, esqueço que lembro e guardo tudo isso embaixo do travesseiro (nos breves segundos que levo para pegar no sono). Os dias me atropelam e eu, de fato, escrevo. Contratos. Lista de pendências. Lista do mercado. Tudo bem, também escrevo a lista de convidados e o cardápio para a festa das meninas. Mas minha alma não é só planejamento. Minha alma também anseia por momentos de devaneio (como um respiro para evitar o mofo). E cá estou eu, escrevendo! Sentindo um misto de culpa (por deixar minhas pendências labutais esperando), alívio (por finalmente devanear) e medo (pois não posso enveredar por estes caminhos da escrita: não têm volta). Dizem que essa coisa de não termos tempo para o tempo que se precisa é só por um tempo. Eu, além do tempo, no momento, não tenho escolha. Mas, como dizia meu pai (e escrevo agora para não perder mais essa embaixo do travesseiro): isso também passa.

24.3.12

tudo o que você quer ser

Um dia eu pedi para você vir dormir comigo na cama pois eu estava com medo. De manhã, eu percebi que havia feito xixi na cama. Então eu não queria levantar pois você iria acordar e perceber que eu tinha feito xixi justo na noite que você veio ficar comigo. Engraçado que eu não lembro do desfecho da história, só lembro disso: eu deitada na cama do seu lado, acordada, pensando no que fazer - e você dormindo. Eu usava sua escova de dentes (pois era a mais bonita) e experimentava o seu aparelho dental (você já sabia disso, não é?). Na horas vagas eu lia suas agendas gordas. E ouvia Raul Seixas pois você também ouvia. Queria dormir na sua cama pois era no alto. Eu preferia o cheetos mas você gostava mais do fandangos de presunto. Você não deixava eu encostar no seu ombro para dormir quando viajávamos com a família toda - e nos apertávamos nós quatro no banco traseiro. Eu vivia suas aventuras como se fossem minhas. E contava para todas as minhas amigas as suas peripécias. E você ganhou o cobertor de pele mais bonito. Eu queria ter os seus cabelos e os seus amigos. E ficava olhando você e olhando você e olhando você. Depois cresci. E passei então a querer ter as coisas que você tinha. Usava seus xampus e seus cremes. Suas camisas e seus perfumes. Lembro especialmente daquele moletom de algodão colorido e tricotado, que você me disse que ganhou de um surfista na Califórnia (“uau” – eu pensei). Só não usava os seus sapatos pois não me cabiam. Um dia você me disse que a vida era assim:  um dia a gente perde mas no outro a gente ganha. Um dia você teve um surto no trânsito pois eu estava dormindo no carro e você dirigindo, e você não aguentava mais isso: trânsito de manhã, eu dormindo, você dirigindo. E seguimos assim, dividindo – o quarto, o carro, as coisas, as brigas e as risadas. Um dia você me disse que precisava de um espaço só seu. Hoje a minha filha maior reclama da irmã menor que quer pegar tudo o que é dela e fazer tudo o que ela está fazendo. Eu, então, conto para ela a nossa história. E ela sorri. Hoje você faz 38 anos. E continua nos meus pensamentos. Sempre. Desejo para você tudo o que você quer ser. E agradeço por ter dividido tanto comigo. Só eu sei da sorte que tive por crescer tão perto de você. Feliz aniversário! Amo você.      

(imagem: Jessica Allen)

16.3.12

eu e ela


não precisa ter medo
do meu próximo passo
tudo o que busco
(e que agora revelo)
é fruto daquela flor
(branca e amarela)
que você tanto adora
e (sem saber)
plantou em mim

não precisa estar triste
pela nossa distância
onde quer que eu vá
levo-te comigo
- tão dentro do meu peito
que,  por vezes,
me confundo com seu jeito

olha mãe:
só temos razões para sorrir
sou parte de ti
e você mora em mim
inda que longe
mesmo que perto

para sempre
mãe e filha

 
(imagem: Irisz Agocs)
_________________________________________

Obs.: para minha fã número um
(ainda bem que existem as mães!).
Seus pedidos me inspiraram!

1.4.11

sentil

é como
uma pétala branca
o que eu quero dizer

é como
a gota cristalina
na iminência de cair da flor

sutileza de amor

é descobrir-se só
sem dor

é tão sutil
que eu
nem
sei

dizer

(imagem: Majeak Ann)

13.3.11

sonho meu

quando você souber o que eu levo
- cá de dentro -
o que eu carrego
- cá de fora -
não vai mais te aborrecer

5.3.11

coisa minha


essa coisa: de querer ser feliz
essa coisa: de querer ser exatamente o que se é

é todo dia
é cada segundo

é caminho sem volda
- ainda bem.
 
imagem: Sarah Janes

27.1.11

.da sabedoria


eu não sei dos fases da lua
eu não sei das estações das plantas
também não me lembro um tanto de fatos da história do homem
e, de pronto, o nome daquela tia antiga já me escapa
eu não sei um bocado de coisas
que rondam os meus dias

mas percebo seus olhinhos
ansiosos por me verem
e sinto os seus dedinhos
a me apertarem a face
(descobrindo um mundo novo)

e, feliz assim, eu sei da vida
do amor e da menina
imagem: Peter H. Reynolds ,
ilustração do livro Algum Dia - de Alison Meghee)

8.12.10

contrapartida

eu tinha muitas angústias.
parecia-me que os meus quereres iam na contramão do mundo.
queria a sorte de um amor tranqüilho.
queria filhos cheios de infãncia, com pés sujos de terra e pele corada de sol.
queria poder cuidar da minha vida, de cada pedacinho dela.
queria a tal flor branca e amarela.
queria distância da falta de sentido, dos olhares perdidos.
sim, eu queria o meu copo cheio.
meu coração satisfeito.
do meu jeito.
e isso tudo me angustiava.
até o dia em que eu descobri que eu posso fazer escolhas na vida.
e esse foi o meu ponto de partida.

30.11.10

foi assim


.todas as vezes que escolhi o caminho que
- nos meus pensamentos -
faria o meu coração transbordar

ele transbordou mesmo.

23.11.10

.das lembranças (ou: eu, meu pai, e minha filha)

É tempo de manga por aqui.
E, no meio desses dias, estou eu cortando manga para a minha filha.
Enquanto a faca divide as fatias, eu me lembro do meu pai. Era com ele que eu comia manga quando pequena. No canto da pia, ele cortava a manga em cinco pedaços, sobrando o caroço para ser chupado. O caroço era meu, e os pedaços nós dividíamos. Tudo era feito com muita calma. E sorrisos. Terminávamos com uma bela lavada das mãos e da boca, que por vezes acontecia no tanque da lavanderia mesmo. Hoje eu corto a manga para a minha filha. E conto para ela as minhas histórias de menina. E, junto com cada pedaço, saboreio lembranças da vida.
Eu, meu pai, e minha filha.

4.8.10

Beatriz

nasceu minha menina
trazendo o cheiro da vida
(cheiro de recém-nascida)
nasceu minha menina
trazendo tantos sons
(murmúrios em vários tons)
nasceu minha menina
trazendo calmaria
(no meio do furacão)
nasceu minha menina
mais um presente na minha vida
(enchendo meu coração)
nasceu minha menina
assim como o seu nome diz
(e eu não imaginava ser tão feliz)
Beatriz

28.3.10

poema de boas vindas

cresce em mim
mais do que a vida
são mil possibilidades
inda pequeninas
cresce aqui dentro
cores não vistas
em batidas rítmicas
cresce sereno
sem medo do frio
cresce pequeno
trazendo águas calmas
um novo parto
e uma nova chegada
.
e mais
sempre mais

20.2.10

novas cores


um tanto mais de cor, um pouco mais de sol.
águas intensas refrescando as tardes quentes,
flores brotando no meio do verde.
um caderno novo, um novo começo.
e aqui dentro também chove.
aqui dentro também nasce.
um agradecimento.
(como se fosse a primavera, e eu... vivendo)

imagem: Xenia Taler

21.12.09

.dos defeitos



luto contra meus defeitos
luto com dores no peito
luto sem trégua
luto com lágrimas

e
tento acabar
com cada um deles

não sei se acabarei com eles
não sei se acabarão comigo

não sei se
nem isso
nem aquilo

sei que
talvez, no final
eu descubra afinal
que alguns meus defeitos
eram muito bem feitos

(e, nesse momento,
os defeitos vencidos
olhando-me de longe,
gritarão: “bem feito!”)




imagem: Majeak Ann

18.12.09

.das faltas









hoje
falta-me a leveza
dos tempos da adolescência

hoje
falta-me a certeza
de que o tempo trará as respostas

hoje
falta-me a serenidade
por crer que tudo está em seu lugar

hoje
falta-me o riso
que explodia no meio do caos

hoje
falta-me a paz
que invadia meu peito sem pedir licença

hoje
eu já não lembro mais
do instante em que desaprendi a sorrir

imagem: Irisz Agocs

20.10.09

segredo


você aparece
em meus sonhos

trazendo a certeza
de que somos

e de que há tempos
nos damos

você aparece
em meus sonhos e

num instante
eu desperto e

de olhos abertos
de novo te encontro

e sonho
imagem: Irisz Agocs

7.10.09

E você...


... adora balões coloridos e bolhinhas de sabão. Acorda sorrindo. Quer saber tudo de tudo. Come três bananas seguidas. Conta seus causos com detalhes e entonações. Diz “obrigada” e “obrigada você”. Adora laranja e mexerica e limão. Segura o xixi para não parar de brincar, depois corre para o banheiro e faz xixi na calça, na frente do vaso sanitário. Adora segurar o gato no colo (e está tentando pegar os pintinhos, mas a galinha ainda não deixou). Reza para o anjo da guarda antes de dormir. Não gosta de colocar fivelinhas no cabelo. Faz todos os dias algumas mesmas perguntas. Adora andar descalça (e vive perdendo os sapatos por aí). Diz que sabe correr mais rápido do que um cachorro. Não gosta de escovar os dentes. Fala ja-bu-ti-ca-ba bem certinho e pausadamente. Adora livros e gibis. Acorda no meio da noite falando, pegando coisas no ar, e depois cai no travesseiro de novo. Devora palmitos e azeitonas. Pede para dar a mão na hora de dormir. Adora olhar os passarinhos. Diz que quer um irmão e uma irmã. Já coloca a roupa sozinha (mas às vezes não quer). Corta os legumes para a sopa junto com a mamãe. Pede quase todos os dias para ir nadar na lagoa. Beija, beija e beija. Abraça, abraça e abraça. Diz que quando tivermos asas iremos todos para o céu. Faz da minha vida um perfeito céu. E mais. Sempre mais.

27.8.09

dias.

dias em que dou-me conta de que a amoreira encheu de folhas e de pequenos frutos inda verdes. dias em que os passarinhos passam a tarde toda passarinhando no meu quintal, bicando os abacates recém caídos do abacateiro. dias em que, olhando bem, desconfio que a gata está grávida, pois anda mais gorda do que o gato. dias em que o sol chega cedo e aquece as cores no varal. dias em que descubro um ninho que a galinha fez, bem escondidinho e disfarçado com palhas e folhas, e já com dois pequenos ovos aguardando para serem chocados. dias em que as sementes de mamão plantadas no mês passado resolvem brotar no vasinho. dias em que as cachorras, os gatos, e as galinhas dividem o quintal harmoniosamente. dias em que a grama está coberta de folhas secas. dias em que a varanda está cheia de crianças sentadas no chão, comendo mexericas. dias em que as formigas fazem trilha pelo arame do varal, e por lá caminham em fila, sempre juntas, uma atrás da outra, outra atrás da uma, passando pelas pequenas lombadas formadas pelas roupas penduradas. dias em que os tucanos aparecem nos galhos mais altos. dias em que abro a porta e me deparo com florzinhas brancas e lilases recém brotadas no arbusto até então sempre verde. dias em que minha filha chega em casa descalça e com as mãos cheias de sementes garimpadas pelo chão de terra. dias. que dias!
imagem: Irisz Agocs

17.8.09

vez sou outra

por vezes
por algumas (raras) vezes
sou exatamente como gostaria