5.9.07

Os textos de minha mãe

Tudo tem um começo. O meu gosto por escrita também. Começou com a minha mãe, desde que eu era muito pequena.


Ela sempre me presenteava com livrinhos. Quando eu era bem pequena eram livros bem simples, com poucas frases e muitos desenhos. “A Nova Professora” foi um deles, contava a história de uma ratinha que aprendeu a gostar de sua nova professora tanto quanto gostava da antiga.

Depois, na medida que eu ia crescendo, os livros cresciam junto comigo. Um pouco mais recheado que o livro da nova professora foi o “Menino Maluquinho”, que eu adorei e me senti super importante lendo um livro “daquele” tamanho, parecia livro de gente grande.

Então começaram os livros de histórias maiores, com enredos mais elaborados, que eu adorava e lia com afinco. Destes lembro especialmente do “Marcelino Pão e Vinho”, que adorei, e chorei no final (acho que devia ter lá pelos meus 11 ou 12 anos). Até hoje lembro da capa, linda, e detalhes das cenas do livro que construí na minha cabeça enquanto lia.

Na adolescência gamei em poesia, pegava os livros antigos da minha mãe e lia, lia e lia. Cecília Meireles, Carlos Drummond, Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes. Até que ela me presenteou, entre tantos outros, com o livro de “Sonetos”, do Vinícius. E eu, claro, gostei demais.

Mas esse texto é mais do que isso. Iniciei falando sobre os textos de minha mãe. É onde quero chegar, nos textos escritos por ela. A introdução acima é importante para entendermos o enredo: nos livros que ganhava de presente sempre havia uma dedicatória dela. Que eu adorava. Lia, relia e pensava: como minha mãe escreve bonito! Intimamente guardava um desejo de um dia escrever como ela.

Sabrina: vejamos com que seu nome rima. Podemos dizer com obra-prima, menina, estima e outras mais...Talvez, deixando a rima de lado vejo aquela nenêzinha que deveria chamar-se rosa porque nasceu dessa cor e, cor rima com amor, flor, ardor. Continuei na rima mas já mudei o rumo de minhas palavras para lhe dizer, menina, que você é minha obra-prima, minha caçula querida, razão da minha vida pela qual quero viver. Te amo muito. Sua mãe.”
(escrito por minha mãe, na dedicatória do livro Poetas Franceses do Século XIX, em 1995, no meu aniversário).
Mas seus escritos não paravam nas dedicatórias dos livros. Ela me escrevia muitas cartinhas e bilhetinhos. Nos aniversários, nas datas especiais, em dias comuns, muitos recadinhos no dia-a-dia.

Uma vez encontrei um caderno dela, cheio de poesias e prosas escritas por ela. Li tudo. Lindas. Chorei em muitas. E guardei o caderno comigo, bem guardadinho para poder ler a minha mãe sempre que quisesse.

E eu também, sabendo do gosto de minha mãe, virava e mexia, e vira e mexe, dava e dou livros a ela.

E assim seguimos, eu e ela, trocando livros e pequenos prazeres literários.
Obrigada mãe, por regar e cuidar, até hoje, da árvore literária que existe em mim (e que foi, certamente, plantada por você). Obrigada por seus textos de sempre, sentidos e delicados, como beijos de mãe.
Agradeço aqui na mesma moeda.

Um comentário:

CAROL disse...

Sá,
Maravilhoso esse seu post!!!
Amor de mãe é maior que todos!!
Muito lindo
beijos