19.12.07

Lembrança

minha avó acaricia minhas mãos
calma e delicadamente
diz-me sempre
que como as minhas
suas mãos, outrora
também foram macias

minha avó lê seu passado
nas linhas das minhas mãos

18.12.07

Beijos de mãe (amor tatuado)

todos os dias
na hora da despedida
a mãe beijava o rosto de sua filha
a brancura da face miúda
marcada com rosa batom

todos os dias
a filha exibia
o beijo rosado
amor tatuado
de sua mãe

e todos os outros beijos do dia...
por favor, na face vizinha

14.12.07

Auto-conhecimento

eu, que sempre tive medo
tenho sentido vontade
(necessidade)
de mergulhar

Sempre

quero,
depois de tudo,
no fim de cada dia,
no fim das nossas vidas,
ser sua amiga (querida).

(“Amizade é um amor que nunca morre” - Mário Quintana)

11.12.07

O contrato e a poesia

o contrato espera
resignado
o final da poesia

o contrato não sabe
coitado
que ele não vai ter vez

pois a poesia
(ah! a poesia...)
não acaba nunca

Silencio


não me peça palavras
se quiser me compreender
olhe os meus olhos
observe meus passos
meu caminho é de terra
minha flor é branca e amarela
e eu vou sempre descalça
se quiser me encontrar
esqueça as palavras
tire os sapatos
pise na terra
e me dê sua mão
o resto é literatura
(deixemos as palavras
aos que precisam dela)

Sabedoria

quero a sabedoria dos velhos
que vendo tudo
nada dizem
apenas sorriem
resignados
e sabidos
de (quase) tudo da vida

Palavras

ainda que se perca
a beleza
quando escrita
que se torne novamente viva
quando, enfim
lida