14.2.08

explosão da vida

Ela estava com uma barriga imensa. Grávida. Caminhava no parque. Calmamente. Olhando o mundo. Olhando as gentes. Andou. Depois sentou. De frente para o lago. O Sol lhe batia na face. Ela olhava as árvores com os olhos entreabertos. Via raios brancos, desenhados pelo Sol, em toda a paisagem. Era como uma fotografia. Uma fotografia que se movia. Pessoas por entre os raios brancos. Que iam e vinham. Só os raios permaneciam. A moça também. Ficou ali um bom tempo. Ora fechava os olhos e sentia o calor aquecer seu rosto. Aquecer sua barriga, que se movia. Ela estava parada, mas não a sua filha. Ora abria uma frestinha de um dos olhos e via tudo o que via. Via pessoas passando e olhando sua barriga. Via cachorros correndo com as crianças de guia. Via. No meio de tantos, viu um senhor. Caminhando na trilha de terra, pelo meio das árvores. Ia virar a esquina. Mas parou. E tomou o caminho que terminava nela. E assim vinha. Olhando para ela. Ela estava com os olhos entreabertos. E perguntava-se se o senhor percebia. Ou se achava que ela nada via. O senhor chegou perto dela. E parou. Na frente dela. E da barriga grande dela. Rosto sereno. Enrrugado de tanta vida. A moça abriu os olhos. Olhou o senhor, que olhava para ela. Ele pediu licença para falar. Ela concedeu. O Sol brilhava entre os dois. Ele disse que o anjo da vida estava ali, bem ao lado dela. Guardando e aguardando. Protegendo e acompanhando. Ela sorriu. Ele prosseguiu. Disse que tudo daria certo. E que a felicidade seria sua fiel companheira de vida. Ela sorriu mais ainda. E disse amém. Os olhos do senhor sorriram para ela. E para toda aquela barriga. Ele voltou para aquela esquina, antes preterida. No dia seguinte a moça pariu sua menina. Exatamente como queria. E estava feliz da vida. E agradecida. Tanto que não cabia. Vida.

2 comentários:

Renata disse...

é assim mesmo. tanto que não cabe. barriga-mundo.
ai que vontade... =P

Clara Gomes disse...

nossa, sonhei e chorei com esse!
(suspiro...)
beijo, querida!
lindo blog.
=D