15.2.08

Filme triste

Mesmo dentro da hora ela já acorda atrasada. Prepara o café, arruma a mesa, sacode as crianças. Olha atravessada para o marido. Será possível que ele nunca vai ajudar em nada? Corre. Leva o cachorro para a rua. Volta. Come. Dispara orientações para empregada. Será possível que ela nunca vai entender nada? Uma porta. Sai de casa. Correndo. Chega no trabalho. Senta. Já desanimada. Começa. Cadê os papéis do banco? Depressa. Mas será possível que todo mundo vai sempre fazer tudo errado? Almoço. Essa vida, quer dizer, essa comida continua sem gosto. Reunião. Corre. Fim do dia. Ai que dor nas costas. Trânsito. Trânsito. Trânsito. Chega em casa. Prepara. Arruma. Sacode. Cachorro. Marido. Crianças. Filme em preto e branco.

4 comentários:

Mariah só Mariah disse...

entre um "trânsito" e outro "transito"...pare, entre num shopping qualquer, pare ao acaso em frente ao menu do cinema...entre na próxima sessão....sente com um saco de Confetes...tudo vai parecer bem melhor depois disso. te garanto. experiência própria.
não espere o marido ajudar, pois ele não vai. não espere a empregada entender, pois quando ela começar a entender ela vai arrumar outro emprego. não espere o trânsito melhorar, a tendência é piorar...aproveite a próxima sessão com um saco de Confetes.
boa diversão
mariah
(vou te visitar de vez em quando tá?)

Renata disse...

como é duro a gente sair dessa roda viva, né? não se deixar engolir pela rotina. tenho um medo danado disso. me perder de mim mesma e ser tragada pelo tempo.

Sabrina disse...

Meninas...

Oi Mariah, obrigada pelas dicas, mas o personagem deste texto não sou eu (eu não aguentaria)!
______________

Rê, também tenho esse medo, como dise acima, o personagem desse texto especificamente não sou eu, mas, claro, também tenho a minha rotina, e, muitas vezes, temo que ela me embole até eu me perder (mas lunto contra isso a cada segundo)... justamente por conta disso (desse medo) que escrevi o texto, para que eu não chegue na situação que ele descreve!

Beijos!

Fabiola disse...

nossa é dificil mesmo.
mas acho que somos sobreviveis
kkk
mesmo se a palavra não existir