13.2.08

OGM


Ontem, em Brasília, o Conselho Nacional de Biossegurança (CNBS) autorizou o plantio e a comercialização no país de duas variedades de milho trangênico: o milho da Bayer (Liberty Link) e o milho da Monsanto (MON810).

O CNBS é um órgão de assessoramento superior do Presidente da República, constituído de 11 Ministros de Estado, com o objetivo de formular e implementar a Política Nacional de Biossegurança. Uma das atribuições do CNBS é decidir, em última e definitiva instância, sobre os processos relativos a atividades que envolvam o uso comercial de organismos geneticamente modificados (OGM) e seus derivados.

Dos onze ministros que integram o CNBS, sete foram a favor da aprovação da medida.

Pessoalmente, sou contra OGM.

Homem mexendo no cerne das espécies, alterando genes, rompendo a barreira do cruzamento natural, transferindo material genético entre vegetais, animais, bactérias, vírus e humanos. Não consigo ficar à vontade com a idéia. Nem por um instante.

Saúde e meio ambiente:

Estudos sérios e comprometidos com a causa comprovam a contaminação genética provocada por lavouras de milho transgênico. Também existem evidências científicas sobre o risco à saúde e ao meio ambiente, e relatórios de governos europeus justificando o motivo da proibição dessas variedades nos respectivos países (todos estes documentos estão disponíveis no site do Greenpeace).

As variedades autorizadas no Brasil foram proibidas em inúmeros países. O milho da Monsanto (MON810), por exemplo, está proibido na Alemanha, Áustria, França (maior país agrícola da Europa), Grécia, Hungria, Polônia e Suíça. No Reino Unido, a própria Bayer retirou seu pedido de liberação comercial, já que não podia garantir a segurança do milho Liberty Link.

Questão social:
Por trás do cultivo de OGM se escondem interesses poderosos de grandes empresas que pretendem controlar toda a cadeia alimentar, desde a produção até o consumo. Isso significa a total dependência dos pequenos produtores rurais dos interesses destas empresas.

Um dos argumentos de quem defende a manipulação genética é a possibilidade de aumento da produção de alimentos, para combater a fome no mundo. Empresas capitalistas, multinacionais, preocupadas com a fome no mundo. Sim, claro. Há muito já se sabe que o problema da fome no mundo não é quantitativo, mas sim político (problemas de distribuição de alimentos).

Por fim, para quem quer ficar longe dos transgênicos e, de quebra, boicotar toda essa politicagem, no site do Greenpeace tem um guia de produtos que contêm alimentos geneticamente modificados. Vale a pena conferir, a lista é atualizada periodicamente.
imagem: Arthur Franco

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