14.3.08

eu, ela e o nosso futuro


Eu não sou nada disso. Aqui é tão gelado. Meus lábios ficam roxos de insatisfação. Nenhum calorzinho de emoção tem espaço. Frio condicionado. Eu não quero chegar onde eles estão. Meu sentido é contrário. Eu gosto de sentir o gosto que as coisas têm. Gosto de calma. Gosto de casa. Não gosto de plantas artificiais. Gosto de sentar na grama molhada. Gosto de andar com os pés descalços. Não gosto de janelas fechadas. Gosto do azul a perder de vista. Gosto do calor aquecendo os sentidos. Não gosto de frases pensadas. Gosto de risadas largas. Gosto das palavras lidas nos olhos. Não gosto de agendas lotadas. Gosto das surpresas que o mundo guarda. Gosto de vidas desgovernadas. Definitivamente, eu não gosto daqui. Tudo é sempre igual. Tudo girando em torno do mesmo propósito vil. A única planta realmente viva mora na minha sala. Eu e ela, bravas guerreiras. Ela sim, sorri todos os dias. Olho para ela e reforço a minha promessa: muito em breve, eu e ela, de mãos dadas, estaremos bem longe daqui.

imagem: Susana Camões
(
http://olhares.aeiou.pt/)

Um comentário:

Ana Cláudia Zumpano disse...

eu tbm gosto de tudo isso... as coisas simples e sensíveis da vida.
lindo texto!
bjos ;*