30.4.08

Traumas que vêm para o bem

Ainda criança, a menina foi ao hospital visitar uma conhecida da família que havia tido um bebê. O bebê havia nascido por cesariana.
Chegando lá, curiosa que era, a menina foi logo perguntando por onde o bebê havia saído, já que não estava mais dentro da barriga daquela moça.
As mulheres que estavam no quarto explicaram que o bebê havia saído pela barriga da mãe mesmo.
A menina não entendeu. Pela barriga? Como? Pelo buraquinho do umbigo?
Então as mulheres explicaram que os médicos haviam feito um corte na barriga da moça, e o bebê havia sido tirado por ali. E que depois costuraram o corte com agulha e linha especial, parecido com o que se faz com as roupas rasgadas.
Os olhos da menina encheram de lágrimas.
As mulheres perguntaram o que havia acontecido.
A menina respondeu que não queria que cortassem sua barriga quando seus filhos nascessem.
E chorou.
Todos acharam graça. Menos ela.
Quando voltou para casa, reformulou toda a relação de parentesco que mantinha com suas bonecas. Não tinha mais nenhuma boneca-filha. Depois da visita ao hospital, passou a ter apenas boneca-sobrinha, boneca- prima e boneca-amiga.

A menina cresceu.
E se quiserem saber o que aconteceu com ela vejam aqui.

14 comentários:

Clítia disse...

Quanta doçura existiu nos olhos da menina quando optou pela naturalidade de parir, quando pensou na força da natureza lhe entregando seu filho.
Cortes doem, filhos não são feitos para machucar.
Estou encantada por você menina doce.
bjs

Clítia disse...

Desculpa meu retorno, mas como fez sua assinatura usada no perfil?
bjs

Sabrina disse...

Oi Clítia, muito obrigada pelo carinho!
:)
Sobre a assinatura, eu escrevi e "scaneei" (não está linkada com o perfil bo blog).
beijos...

Carlos Lopes disse...

Cara Sabrina: comentei o seu poema MAIS VALIA, no blog (L'Excessive, da Liz). Adorei o poema tanto que gostaria que me desse permissão de o usar em minhas aulas de literatura. Sou professor de Português e Literatura Portuguesa. So me permitir, usá-lo-ei. Mas caso não queira que o use, pode ficar descansada que será feita a sua vontade. Estou gostando muito do que vejo no seu blog. Ficarei visita. Se quiser encontrar-me saberá como fazê-lo, certamente
Um beijo português.

Sabrina disse...

Oi Carlos,
muito obrigada pela visita!
:)
Sobre o poema, permissão concedida com muito prazer! Fique à vontade para utilizá-lo em suas aulas.
Vou dar um pulo no seu blog agora.
beijos

André Korsakas disse...

Sassarroca...só me surpreendes. Adorei o texto e a idéia do link para a continuação. Neste momento, sua menina dorme, aqui ao meu lado, no quarto vizinho, suave, doce e linda como você.
Com amor...

Nadja disse...

Muito intressante teu blog! =)

Rezú disse...

querida,
o mais lindo de tudo é saber que a tua pequena terá uma experiência totalmente diferente quando, um dia não muito distante, vier a te perguntar como foi que se deu o nascimento dela... não é belo ver como as coisas crescem, evoluem, melhoram?
beijo grande, flor.

Fabiola disse...

Linda....
podemos mudar nossos paradigmas né?

Grazielle disse...

Crianças! Tão puras, inocentes e especiais... E ninguém dá conta disso! adorei os textos!!

Mariah disse...

mas cortaram também sua barriga?

quando a gente cresce e conhece a outra opção (para o corte na barriga) fica ainda mais aterrorizada...
como assim, entra um caroço e sai uma melancia???

terrível dor de crescer e reproduzir.

mariah

Anônimo disse...

Que bom que a menina não congelou e se tornou mãe. Caso contrário, perderia uma das mais belas experiências da vida.
Felicidades!
Marcia

Joaquim disse...

Sassá!!
Que surpresa ler isso no seu blog!!
Lembro desse dia como se fosse ontem!
Como você escreve bem!
Parabéns!
Um super beijo!
Fe ( a irmã da moça que teve o bebê de cesariana!!)

Joaquim disse...

Joaquim é o meu marido!
Beijos
Fe