29.5.08

a maré

não me peça para explicar
o que eu não posso ser
aceite-me
(ou não)
e lembre-se:
eu não sou chão
eu sou água
(de mar)
por isso
posso mudar
mas naturalmente
(lunar)
se você tentar controlar
eu vou escapar
(feito água)
por entre
seus medos
desenho: Tresa Sousa

27.5.08

(en) volver

pára tudo
e me olha
um instante antes
de ir embora
fica mais
demora
e olha:
nosso tempo
é agora
esse amor
aquela prosa
nossa flor
inda cheirosa
esquece essa
de ir embora
demora
e olha...

16.5.08

encontro

será que existe
uma única criatura
capaz de entender
tudo o que eu
silenciosamente
grito?

tudo o que eu
com tantas palavras
omito?

capaz de me dizer
que já penou da mesma chaga
e se depois restou curada?

alguma criatura
ainda que muda
capaz de me lançar
um olhar de reconhecimento?

um olhar que leve essa tormenta
e traga, em seu lugar, brisa fresca?
aguardo em silêncio

sabendo, no fundo,
que a criatura que busco
me encontra
todos os dias

no espelho

13.5.08

Regra de ser

Afinal de contas...
a intensidade da dor
é diretamente proporcional
à necessidade de libertação.

Mas atenção:
de baixo para cima
este poema não se aplica.

12.5.08

enxaqueca

tudo o que eu deixei de ser
explode dentro da minha cabeça

até o dia em que eu aprender
a explodir antes

que eu me esqueça

6.5.08

seis de maio

ao seu lado
não há tempo
a ser contado

ao seu lado
o estado é de graça
e o tempo, parado

ao seu lado
é sempre tempo
de amar sendo amado

para que calendário?

(na) morada

(imagem: Liniers)


hoje escrevo para festejar

o amor
sem tempo

e o tempo
sem hora

hoje escrevo para celebrar

o amor
que há tempos

em nós
mora