27.6.08

querença

todo mundo quer ser feliz
sentir o coração pulsar
explodir

todo mundo quer paixão
pernas bambas
comoção

todo mundo quer querer
sem pensar
em doar
(-se)

24.6.08

revoar


nos sonhos
não há regras nem sentido

nos sonhos
vôo leve e cristalino

nos sonhos
saímos para vida etérea

sim
nos sonhos
estamos livres
do peso da matéria

(que alívio)
_________________________________________
* do Aurélio:
"Revoar: voar para o ponto de onde partira"

19.6.08

a(i)nda

ainda existe um muro
que nos impede
de entender
o outro

ainda existe um véu
cobrindo o
sentido
amor

ainda existe um campo
a transpor

(vamos?)

16.6.08

rosa dos ventos


vejo-me
vejo-te

cada um
com seu remo

e nós:
dois braços
de um mesmo barco
______________________________________________
* Para você, moço meu, que é meu Sul desde menino...

15.6.08

Mais um presente!

Recebi mais um presente da querida Fabíola:


Fá, muito obrigada, fiquei muito feliz pela indicação!
(e saiba que a satisfação de estar por aqui é toda minha)
:)

13.6.08

Mirando

A semana foi corrida demais, mas acabou! Ufa!
Um ótimo final de semana!
Quadrinho: Liniers

6.6.08

filha

guardo-te
dentro do meu peito
dentro da minha vida
dentro de tudo que penso
e aguardo, descrente
o dia em que as palavras
nos alcançarão

imagem: Ana Oliveira

Grande amor

Suas mãos são grandes e fortes. E estavam sempre segurando as minhas. Quando criança, ele me carregava sobre seus ombros, lembro da sensação de segurar em sua testa e passar a mão por seus cabelos grisalhos. Saíamos juntos para todos os lados. Ele me explicava tudo atentamente e com detalhes. Ele desembaraçava meus cabelos compridos com seu pente fininho. Ele cortava meus cabelos em cima da máquina de lavar, e quando acabava dizia para eu ir ao espelho ver se tinha gostado. Ele me ensinou a andar de bicicleta e me ensinou a dirigir. Regávamos as plantas juntos, e eu podia segurar a garrafa pesada junto com ele. Ele não matava os insetos que apareciam em casa, mas os levava ao jardim, e eu achava incrível ele segurar uma barata, nas mãos juntas e fechadas em concha, com a maior naturalidade. Ele não me deixava brincar sozinha com garotos. Ele consertava todos os meus brinquedos. Ele me ajudava com as matérias que eu não entendia, e sempre sabia resolver os exercícios difíceis. Quando chegava o boletim, ele sentava comigo na mesa da sala e via todas as notas, uma por uma, comparava com a média anterior, comemorava os aumentos, brincava com as que haviam baixado um pouco, e conversava sobre as que haviam baixado muito. Ele me trazia pastas de capa dura, repletas de plásticos já com folhas de sulfite dentro, perfeitas para minha coleção de papéis-de-carta. Ele me levava e buscava em todos os lugares, sempre com um sorriso no rosto. E ele nunca atrasou. Nunca. Ele sempre devolvia o troco quando havia recebido mais do que o devido. Quando fui para o meu primeiro acampamento escolar, já no colegial, ele me abraçou e disse para eu não deixar ninguém pensar que eu não era uma “menina corretinha”. Na época do cursinho, ele acordava antes de mim e preparava dois lanches naturais para eu comer nos intervalos das aulas. Quando entrei na faculdade ele conversou seriamente comigo sobre o ambiente, sobre drogas, e sobre rapazes aproveitadores, disse para eu não aceitar caronas e recusar flores (eu nunca recebi flores na faculdade). Ele passava no meu quarto todas as noites para arrumar as minhas cobertas e me dar um beijo. Por muitas vezes conversamos até de madrugada, na mesa da cozinha, beliscando os restinhos da janta. Quando eu disse que ia sair de casa, ele me abraçou por tanto tempo que até adormeceu nos meus braços. Quando minha filha nasceu, ele me beijou e abraçou sinceramente feliz, e trouxe uma salada de frutas feita por ele. Ele me dá flores em todas as ocasiões especiais. Ele me chama por um apelido derivado de flor. Ele demonstra tanta confiança em mim que eu chego a duvidar das minhas próprias inseguranças.
Ele é o melhor pai do mundo. É o meu.

4.6.08

bonança

sem essa
de ter pressa

hoje
não corro mais

hoje
sou ex-pressa
imagem: Ana Oliveira