6.6.08

Grande amor

Suas mãos são grandes e fortes. E estavam sempre segurando as minhas. Quando criança, ele me carregava sobre seus ombros, lembro da sensação de segurar em sua testa e passar a mão por seus cabelos grisalhos. Saíamos juntos para todos os lados. Ele me explicava tudo atentamente e com detalhes. Ele desembaraçava meus cabelos compridos com seu pente fininho. Ele cortava meus cabelos em cima da máquina de lavar, e quando acabava dizia para eu ir ao espelho ver se tinha gostado. Ele me ensinou a andar de bicicleta e me ensinou a dirigir. Regávamos as plantas juntos, e eu podia segurar a garrafa pesada junto com ele. Ele não matava os insetos que apareciam em casa, mas os levava ao jardim, e eu achava incrível ele segurar uma barata, nas mãos juntas e fechadas em concha, com a maior naturalidade. Ele não me deixava brincar sozinha com garotos. Ele consertava todos os meus brinquedos. Ele me ajudava com as matérias que eu não entendia, e sempre sabia resolver os exercícios difíceis. Quando chegava o boletim, ele sentava comigo na mesa da sala e via todas as notas, uma por uma, comparava com a média anterior, comemorava os aumentos, brincava com as que haviam baixado um pouco, e conversava sobre as que haviam baixado muito. Ele me trazia pastas de capa dura, repletas de plásticos já com folhas de sulfite dentro, perfeitas para minha coleção de papéis-de-carta. Ele me levava e buscava em todos os lugares, sempre com um sorriso no rosto. E ele nunca atrasou. Nunca. Ele sempre devolvia o troco quando havia recebido mais do que o devido. Quando fui para o meu primeiro acampamento escolar, já no colegial, ele me abraçou e disse para eu não deixar ninguém pensar que eu não era uma “menina corretinha”. Na época do cursinho, ele acordava antes de mim e preparava dois lanches naturais para eu comer nos intervalos das aulas. Quando entrei na faculdade ele conversou seriamente comigo sobre o ambiente, sobre drogas, e sobre rapazes aproveitadores, disse para eu não aceitar caronas e recusar flores (eu nunca recebi flores na faculdade). Ele passava no meu quarto todas as noites para arrumar as minhas cobertas e me dar um beijo. Por muitas vezes conversamos até de madrugada, na mesa da cozinha, beliscando os restinhos da janta. Quando eu disse que ia sair de casa, ele me abraçou por tanto tempo que até adormeceu nos meus braços. Quando minha filha nasceu, ele me beijou e abraçou sinceramente feliz, e trouxe uma salada de frutas feita por ele. Ele me dá flores em todas as ocasiões especiais. Ele me chama por um apelido derivado de flor. Ele demonstra tanta confiança em mim que eu chego a duvidar das minhas próprias inseguranças.
Ele é o melhor pai do mundo. É o meu.

7 comentários:

:: Daniel :: disse...

Amor de pai é sempre emocionante. O meu é meu amigo, companheiro... Temo pensar a vida sem ele.

Obrigado pela visita lé no velha casa! Volte sempre que quiser!
Porta da casa sempre aberta =D

Beijos,
Daniel

Anônimo disse...

Eis a razão do seu encantamento.
Emocionante!
lindos dias,flor
beijos
Márcia(clarinha)

Rezú disse...

ô coisa demais de linda! ;-)
sorte grande ter um ser assim como companheiro de jornada...
bjo, flor!

ariadne disse...

me fez chorar...
não vejo o meu pai há dois anos
sinto tanta falta dele

'ele não matava os insetos que apareciam em casa, mas os levava ao jardim, e eu achava incrível ele segurar uma barata, nas mãos juntas e fechadas em concha, com a maior naturalidade'

Monique Frebell disse...

Amei o post. O meu pai tbm é meu herói, é o homem que mais amei e o que mais me ama tbm.

Obs.: (depois dá uma passadinha no meu blog tbm, ta?!)

Volto aki mais vezes, pra suspirar com vc!

Bjks

Bárbara M.P. disse...

Ah... os pais....
... o meu pai...
amor maior do mundo...

Carol disse...

Sá,
todo pai tem um carinho especial pelos filhos e o seu pai não é diferente!
Ele tem carinho por todas vocês que são filhas dele,pela família dele tembém!!!
O seu PAI com certeza é o seu herói e de suas irmãs também
Mil beijos