2.4.13

O amor ainda é free


Você me disse que ia comigo na escolinha quando eu era pequena. Confesso que não lembro, mas acredito. Você me ensinou a pintar (sempre na mesma direção ou em bolinhas). Você fazia desenhos lindos, lindos, lindos. E eu não cansava de olhá-los. Você me contou sobre os planetas e a Via-Láctea. Você tinha um quadro do Michael Jackson no seu quarto, e eu ficava horas olhando para ele. Você me levava na piscina do prédio. Um dia eu peguei escondido uma bala de goma na sua gaveta, e minha boca ficou toda manchada de tinta (era uma daquelas balas com tinta no recheio). Você deu risada e disse que era para eu aprender a não mexer nas coisas dos outros. Você me emprestava os seus lápis de pintura. Você foi a primeira pessoa para quem eu contei, chorando e com a voz embargada, a minha primeira nota vermelha. Você sorriu (com um ar de “ah se todos os problemas do mundo fossem esse”) e depois foi comigo contar para a mamãe e para o papai. Você me contou os mistérios dos discos voadores. Uma vez, quando eu te procurei chorando e disse que tinha medo que a mamãe ou o papai morressem, você me perguntou, com um sorriso no canto da boca: “E a Tuca? Você não tem medo que a Tuca morra?”. Eu e você: gostamos de farinha láctea e de leite em pó. Quando você casou você me enviava cartas pelo correio. Eu podia contar tudo para você: você sempre me ouvia com olhos sinceramente interessados. Hoje, você senta para desenhar com as minhas filhas, exatamente como você fazia comigo. Você explica para elas muitas coisas, com calma e com detalhes, exatamente como você fazia comigo. E, recentemente, você me disse que “o amor ainda é free”. Para mim, esta frase é a perfeita descrição de você. Quer coisa mais bonita do que essa? Obrigada por fazer parte da minha vida. Obrigada por estar sempre disposta, sempre sorrindo. Obrigada por me lembrar (com palavras e atitudes) que o amor ainda é free. Amo você.
 
(imagem: Katie Daisy)

Um comentário:

KASJA disse...

:)))))))